sexta-feira, 3 de abril de 2020

Uso de verba eleitoral de R$ 3 bi para combater coronavírus racha a Câmara

Câmara votará a chamada 'PEC do Orçamento de Guerra' nesta sexta-feira, 3.

Câmara dos Deputados votará nesta sexta-feira, 3, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do chamado “orçamento de guerra”. O projeto permite a separação dos gastos realizados para o combate ao novo coronavírus do Orçamento Geral da União. Embora haja consenso entre os parlamentares para a aprovação do texto, o destaque que visa destinar as verbas do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário para a saúde enfrenta resistência na Casa.
O destaque número 12, apresentando pela bancada do Novo, prevê o repasse de cerca de 3 bilhões de reais para a área da saúde – deste montante, 2 bilhões de reais seriam provenientes do Fundo Eleitoral, e 1 bilhão de reais do Fundo Partidário. Segundo estimativas dos parlamentares do partido, o valor permitiria, por exemplo, a compra de 30 mil respiradores para hospitais e de equipamentos de proteção individual (EPIs) para mais de 9 milhões de profissionais da saúde.
Um dos idealizadores do destaque é o deputado federal Vinicius Poit (Novo-SP). Para o parlamentar, no cenário de crise atual, “não faz sentido gastar recurso público com coisas supérfluas”. “Em um momento como esse, você prioriza o seu recurso, não gasta com coisas supérfluas. Você vai cortar para priorizar alimentação, saúde. Por que, então, o governo vai manter 2 bilhões de reais para fazer campanha política no momento em que falta máscara, respirador? Não faz o mínimo sentido”, disse Poit a VEJA.
Para ser aprovado, o destaque precisa de 308 votos, três quintos do total de 513 deputados. De acordo com o mapa de votos feito pelo movimento Vem Pra Rua, a proposta tem, hoje, o apoio de 125 parlamentares, entre eles deputados bolsonaristas, como Carla Zambelli (PSL-SP), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carlos Jordy (PSL-RJ). No Senado, a proposta é apoiada por senadores do grupo Muda Senado.
Apesar da mobilização nas redes sociais nos últimos dias, Vinicius Poit admite que a aprovação é difícil. “É difícil, mas vamos remar”, diz. “Contamos com o apoio da sociedade, da classe artística, de movimentos como o MBL, o Vem Pra Rua, o Ranking dos Políticos. Enxergo que há um entendimento entre as pessoas que o dinheiro do fundo precisa e deve estar na saúde”, afirmou o deputado a VEJA.
Para lideranças partidárias ouvidas por VEJA, o destaque não é pertinente em uma PEC que prevê separar os gastos realizados para o combate ao novo coronavírus do Orçamento Geral da União. Além disso, trata-se do esvaziamento dos recursos para campanha em um ano eleitoral.
“[O destaque 12] É uma matéria que não é pertinente a esta PEC. É uma covardia com o povo brasileiro alguns deputados quererem se aproveitar de um cenário de crise para fazer demagogia. É mesquinho usar este momento de fragilidade para demagogia”, disse a VEJA o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), vice-líder do partido na Câmara e um dos representantes do Centrão, bloco majoritário na Câmara.
Para Ramos, a discussão sobre o Fundão, como é conhecido o montante destinado às campanhas eleitorais e aos partidos políticos, deve ocorrer se o Congresso for debater uma eventual alteração no calendário eleitoral. “Deixemos o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] dizer se haverá, ou não, condições de mantermos as eleições para outubro deste ano. Se não for possível, o Congresso analisará medidas legislativas desta natureza. Mas sequer chegamos ao pico da crise causada pelo coronavírus”, afirmou o deputado.
Em meio às incertezas sobre a realização das eleições municipais em outubro deste ano, Vinicius Poit admite que, caso o calendário eleitoral seja mantido, o destaque apresentado pelo Novo perde força na Câmara. “Acredito que temos que dissociar as discussões: uma coisa é fundo eleitoral e fundo partidário, a outra é calendário eleitoral. Defendo que as eleições sejam mantidas este ano, realizadas em novembro, começo de dezembro, mas, se o calendário for mantido, é mais difícil que o destaque seja aprovado”, avalia. (MSN)

terça-feira, 31 de março de 2020

Por que o novo coronavírus é tão contagioso?

Especialistas concordam que nunca havia se visto um vírus como o SARS-CoV-2

Ele é um pacote microscópico de material genético envolto por uma camada de proteína com um milésimo do tamanho de um fio de cabelo humano.
No entanto, esse vírus letal, chamado Sars-CoV-2, se espalhou por quase todos os países do mundo e infectou quase 800 mil pessoas desde que foi identificado em dezembro de 2019 na China.
Vírus como este, da família dos coronavírus, podem causar doenças em animais. Sete deles, incluindo o Sars-CoV-2, saltaram para humanos de outros animais e foram responsáveis por pandemias como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).
Mas os especialistas afirmam que nunca viram um patógeno tão traiçoeiro quanto esse novo coronavírus, incluindo até mesmo o ebola.
E o que faz com que o Sars-CoV-2 ataque as células humanas e se espalhe com tanta eficiência?
Diversos países têm criado instalações para atender pacientes com covid-19, a doença causada pelo novo vírus

Entrada na célula

Diversos pesquisadores no mundo estão investigando quais são os mecanismos biológicos que o vírus utiliza para infectar tão facilmente as células humanas.
Alguns estudos focam as espículas na superfície do vírus, estruturas proteicas em forma de pontas que compõem uma espécie de coroa (daí o nome corona, que é coroa em latim).
Outros pesquisadores estão estudando a "porta de entrada" que o vírus utiliza para adentrar as células humanas.
O principal objetivo do vírus, depois que entra no organismo, é criar cópias de si mesmo. E para isso precisa encontrar uma forma de adentrar as células.
"Os vírus dos resfriados comuns, da Sars e da Mers, todos têm espículas, e o que determina como elas adentrarão as células é qual o receptor utilizado para isso", explica Panagis Galiatsatos, professor de medicina pulmonar e cuidados intensivos da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, em entrevista à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Estudos têm apontado que o Sars-CoV-2 se aproveita de um receptor específico chamado ACE2 (enzima conversora da angiotensina-2).
Essa proteína aparece em diversas partes do corpo, como pulmões, coração, rins e intestino, e sua principal função é reduzir a pressão arterial.
"A ACE2 está na superfície da célula, e quando o vírus a reconhece, adere a ela e entra na célula", afirma Sarah Gilbert, professora de imunologia da Universidade Oxford, no Reino Unido.
"Ali dentro, o vírus utiliza todo o maquinário celular como uma fábrica para fazer cópias de si mesmo e de seu material genético. Depois escapa da célula, da qual resta apenas a casca, e o vírus, com suas milhares de cópias, está pronto para começar a infectar outras células."
Os vírus respiratórios, como o do resfriado comum, tendem a se reproduzir no nariz e na garganta, de onde podem ser facilmente espalhados por meio de tosse ou espirro.
Mas há outros vírus que só se reproduzem no trato respiratório inferior, principalmente nos pulmões, de onde são menos transmissíveis, porém mais perigosos.

Característica crucial

O Sars-CoV-2 tende a ter uma característica crucial: ele se encontra tanto no trato respiratório superior, propagando-se facilmente, quanto no inferior, produzindo uma enfermidade nos pulmões que pode ser fatal.
O Sars-CoV-2 pode ser encontrado tanto no trato respiratório superior quanto no inferior
"O que mais nos preocupa é que esses receptores ACE2 estão presentes também nas células dos alvéolos, os delicados sacos de ar nos pulmões onde ocorrem as trocas de gases", explica Galiatsatos, da Universidade Johns Hopkins.
Quando o vírus ataca essas células, surge um dos sintomas mais comuns da covid-19: a dificuldade de respirar e a tosse, que ocorre quando os pulmões tentam se livrar da infecção.

Falta e desenvolvimento de imunidade

Um novo vírus como este é perigoso não apenas por não termos medicamentos ou vacinas para nos proteger, mas também porque nossas defesas naturais não estão preparadas para combatê-lo.
"Como não temos uma proteção natural, todas as pessoas estão suscetíveis a serem infectadas, e esse é um dos motivos pelos quais ele tem maior propensão de se espalhar", diz o infectologista Estevão Portela, vice-diretor de serviços clínicos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.
Diante de uma nova ameaça, o corpo tem de partir do zero e construir as defesas necessárias. Mas, no caso de um vírus, este processo costuma ser mais demorado do que a velocidade com que este tipo de microrganismo se multiplica e infecta células.
Quando um invasor é agressivo, resistente ou está presente em maior quantidade, isso exige outro tipo de reação do organismo, uma resposta imune adquirida desenvolvida pelo corpo após entrar em contato com um patógeno.
Ela envolve a ação dos linfócitos, células especializadas capazes de combater microrganismos e de nos proteger da mesma ameaça por mais tempo.
Os linfócitos ficam armazenados em órgãos como os linfonodos e o baço, à espera de sinais de que devem entrar em ação.
Um dos principais alertas é dado pelos macrófagos, que capturam um microrganismo ou parte dele e o transporta até os linfócitos, dando início à resposta imune adquirida.
"Os macrófagos atuam como uma ponte entre as duas respostas imunes", explica Renato Astray, pesquisador do Instituto Butantan.
Os linfócitos começam então a produzir milhões de cópias de si mesmos e reforçam o sistema imunológico ao gerar anticorpos, proteínas capazes de neutralizar um patógeno. Os anticorpos têm a capacidade de reconhecerem e se ligarem ao invasor, impedindo que ele infecte novas células e se reproduza.
Os linfócitos também marcam alvos para neutrófilos e macrófagos. "Os linfócitos são como maestros do sistema imunológico, ao fazer com que as células imunes se aglutinem em torno de uma ameaça", diz Portela.
Ao final deste processo, a maioria dos linfócitos é destruída, mas alguns se diferenciam e permanecem em nosso corpo por vários anos, formando uma memória imunológica que tornará mais ágil o combate ao patógeno se ele nos infectar novamente.

Sintomas e infecção

Uma das principais diferenças do Sars-CoV-2 em relação a outros dois coronavírus, que causaram a Sars e a Mers, é que esses dois últimos aderiam a muitos mais receptores celulares e, por isso, se reproduziam mais rápido.
Isso fazia com que os sintomas da Sars e da Mers aparecessem muito mais rápido e, portanto, os pacientes poderiam se isolar antes de provocar tantas infecções.
No novo coronavírus, que parece mais adaptado a se espalhar, os sintomas não aparecem de imediato ou podem nem aparecer, mas o vírus pode ser transmitido mesmo assim.
"Acreditamos que uma pessoas pode começar a infectar as outras pessoas até um dia antes de surgirem os sintomas e por até sete dias depois disso", afirma David Hymann, especialista de doenças infecciosas responsável pela estratégia da Organização Mundial da Saúde (OMS) durante a epidemia de Sars.
Aqui reside o verdadeiro perigo do Sars-CoV-2, e é por isso que as autoridades ao redor do mundo colocam tanta ênfase nas medidas de distanciamento social.
O vírus só pode sobreviver se encontra um novo hospedeiro para infectar. Quando uma pessoa fica em casa durante 14 dias, elimina a possibilidade de transmitir o vírus para os outros.
"Até o momento, se isolar é a única coisa que podemos fazer. Estamos tentando encontrar uma vacina ou um remédio que funcione, mas a velocidade da ciência não é tão rápida quanto gostaríamos, e tudo isso toma muito tempo", diz Galiatsatos, da Universidade Johns Hopkins.
"No livro A Arte da Guerra, Sun Tzu afirma que para ganhar a batalha precisamos conhecer o inimigo. Mas quando se dá conta de quão incrivelmente ardiloso é seu inimigo, isso é uma lição de humildade. E é isso que eu diria sobre esse vírus." (MSN)

segunda-feira, 30 de março de 2020

Senado aprova auxílio de R$ 600 para trabalhadores informais

Auxílio emergencial será de R$ 600 até R$ 1.200 por família: veja ...

Em sessão por videoconferência, o plenário do Senado aprovou, nesta segunda-feira, 30, o projeto que prevê o pagamento de auxílio de 600 reais para trabalhadores informais, em votação simbólica onde todos os partidos encaminharam às bancadas a orientação para se votar a favor do projeto, contemplado por unanimidade, com 79 votos a favor. De relatoria do senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o projeto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro
O projeto engendrado pelo Ministério da Economia, sob a tutela de Paulo Guedes, previa o pagamento de um benefício de 200 reais para este contingente para diminuir os impactos da pandemia do coronavírus na vida destes cidadãos, impactados diretamente pela política de isolamento recomendada pela Organização Mundial da Saúde. O valor foi considerado muito baixo por lideranças partidárias na Câmara e elevado na aprovação do texto na Casa na última quinta-feira 26.
Na sessão desta segunda, o senador Major Olímpio (PSL-SP) criticou o governo por ser “muito bom de iniciativa, mas não de terminativa”. “Estamos precisando de mais iniciativas para injetar na veia o dinheirinho”, disse ele. Já o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE) afirmou que os valores foram articulados entre o presidente Bolsonaro e o Congresso Nacional, que consideraram os valores iniciais como “muito tímidos”.
O primeiro vice-presidente do Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), informou que um acordo de líderes determinou a aprovação apenas com emendas de redação. As emendas de mérito e outras sugestões de senadores para ampliar o benefício para outras categorias como trabalhadores intermitentes, pescadores sazonais e motoristas de aplicativo serão discutidos na terça-feira, 31, quando será debatido um “projeto complementar da renda mínima”, segundo Anastasia.
O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, afirmou que Banco do Brasil, Banco da Amazônia, Banco do Nordeste, Correios, Caixa e agências lotéricas farão os pagamentos dos benefícios, mas apelou que a população ainda não vá às agências porque o texto ainda não foi sancionado por Bolsonaro, tampouco existe ainda o sistema para os saques.
Como VEJA revelou, Guedes estuda reduzir os salários de funcionários públicos que ganhem mais de 10 mil reais, temporariamente, para arcar com os benefícios, cujo orçamento será de mais de 50 bilhões de reais.
Segundo o texto, será permitido a duas pessoas de uma mesma família acumularem benefícios: um do auxílio emergencial e um do Bolsa Família. Se o auxílio for maior que a bolsa, a pessoa poderá fazer a opção pelo auxílio.
Já a renda média será verificada por meio do CadÚnico para os inscritos e, para os não inscritos, com autodeclaração em plataforma digital. Na renda familiar serão considerados todos os rendimentos obtidos por todos os membros que moram na mesma residência, exceto o dinheiro do Bolsa Família. Ainda não há data para que o auxílio comece a ser pago e nem qual órgão irá realizar o pagamento.
Segundo o projeto, enquanto durar a epidemia, o Poder Executivo poderá prorrogar o pagamento do auxílio.
No texto aprovado pela Câmara, que foi fruto de um acordo com o governo, há a previsão que caso do informal ser mulher, mãe e chefe de família, o auxílio seja de 1,2 mil reais. Ao todo, 24 milhões de pessoas podem ser beneficiadas. Segundo o IBGE, o Brasil tem 38 milhões de trabalhadores informais. (MSN)

Olimpíadas de Tóquio têm novas datas definidas após adiamento

Definida nova data de início das Olimpíadas de Tóquio - Rádio Jornal

Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 têm nova data definida. Após o adiamento devido à pandemia do novo coronavírus, o torneio acontecerá entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021.
A mudança foi anunciada na manhã desta segunda-feira pelo comitê organizador do evento, após reunião com o Comitê Olímpico Internacional (COI), o Comitê Paraolímpico Internacional (CPI) e autoridades japonesas.
Seguindo a decisão, os Jogos Paraolímpicos também tiveram novas datas confirmados, e acontecerão entre 24 de agosto e 5 de setembro de 2021.
As datas são iguais as definidas originalmente para os eventos: 23 de julho a 9 de agosto de 2020, e 24 de agosto a 5 de setembro de 2021. Segundo os organizadores, a ideia é que o impacto da alteração seja o menor possível.
Como confirmado na última semana, os atletas que já garantiram sua classificação para os Jogos de Tóquio manterão suas vagas.
“Com esse anúncio, estou confiante que, trabalhando junto com o comitê organizador, o governo metropolitano de Tóquio, o governo japonês e todos os nossos stakeholders, nós temos como superar esse desafio sem precedentes. A humanidade se encontra em um túnel escuro. Esses Jogos Olímpicos podem ser uma luz no fim desse túnel”, declarou o presidente do COI Thomas Bach. (MSN)

Príncipe Charles está curado do novo coronavírus

Príncipe Charles é diagnosticado com coronavírus - Super Rádio Tupi

O príncipe Charles, 71 anos, está curado da Covid-19, anunciou a Clarence House nesta segunda-feira (30).
De acordo com uma nota oficial, o herdeiro do trono britânico de 71 anos não está mais em auto-isolamento na Escócia e está "bem de saúde". Charles deixou a quarentena obrigatória "após consultar seu médico" particular.
Por conta da confirmação da contaminação pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), anunciada no dia 25 de março, o primeiro na fila de sucessão da rainha Elizabeth II havia se isolado na residência de Balmoral, na Escócia, longe da esposa, a duquesa da Cornualha, Camilla, que não contraiu o vírus.
Segundo as informações oficiais, Charles só apresentou "sintomas leves" da doença. Assim como o sucessor real, o país tem mais dois expoentes políticos com a Covid-19: o primeiro-ministro, Boris Johnson, e o ministro da Saúde, Matt Hancock.

Ao todo, o Reino Unido registra 19.788 contaminados e 1.228 mortos. (ANSA)